Entrevista com o Coordenador do projecto

Coordenador do Projecto Tchossam Soninkê, “Relançamento da Cultura Tradicional de Tin-

tura de Panos” em Ponte Nova, cidade de Bafatá, Mamadi Baldé, considera que os grandes objectivos do projecto estão a ser alcançados com sucesso. Isto apesar de alguns transtornos registados, inclusive acontecimentos políticos no país, mas no entanto, a execução das actividades está num bom nível. Um projecto com financiamento da União Europeia e da- Palencia de Espanha, implementado pela DIVUTEC e UNIMOS.

A implementação do projecto Tintura de Panos está no seu segundo ano onde muitas actividades foram realizadas e outras ainda por realizar. Como Coordenador do mesmo, o que lhe oferece comentar sobre os progressos do projecto?

Mamadi Baldé (MB) – O projecto Tintura de Panos

, é um projecto financiamento da União Europeia e da Palencia de Espanha e é implementado pela DIVUTEC e UNIMOS. O projecto com horizonte temoral de 3 anos, está no seu segundo ano, onde grosso de activi- dades foram realizadas, nomeadamente construção e equipamento de infra-estruturas, reforço de capacidade institucional e técnica da Associação das Mulheres de Ponte Nova, que são as principais beneficiárias do projecto, e alguns inquéritos e estudos.

Agora o que está a ser planeado é a realização do grande objectivo do projecto que é o relançamento da cultura tradicional de tintura de panos.

Se vermos bem, pela história, a Guiné-Bissau é um país onde nos até meados dos anos 80 a actividade de tintura de panos estava bem patentes. Mas, pouco a pouco esta actividade está em declínio no país. E na medida em que enfraquece ela evolui nos países vizinhos (Senegal, Gambia, Mali e Guiné-Cona- cri). A maioria dos centros de produção de panos tinturados nestes países são de mão de obra guineense, que se deslocam para esses países a adquerirem competência e obtenção de maior renda.

Daí, o objectivo deste projecto é justamente pro- mover o relançamento desta actividade na Guiné- Bissau, através da construção e equipamento de infra-estruturas adequadas, reforço da capacidade técnica e institucional da AMPN e ao mesmo tempo dar oportunidade aos jovens que eventual- mente estão interessados nesta actividade.

Nesse sentido já realizamos varias formações modulares, uma assitencia técnica permanente para AMPN, formadas 100 mulheres tintureiras em técnicas de tintura de pano, realizada um es- tudo sobre impacto de emigração das tintureiras nos países visinhos, entre outras.

No ponto de vista cultural, o que é que este projecto representa para o país e, em particular para os habitantes de Ponte Nova de Bafatá, enquanto etnia Soninkê?

MB – Primeiramente, este projecto visa revitalizar um valor importante na cultura guineense. Como sabemos, nenhum povo desenvolve sem a cultura, porque ela faz parte da identidade de qualquer povo. A etnia Soninkê (Saraculés) é conhecida tradicionalmente com esta cultura e isso vai permitir os jovens e gerações futu- ras conhecerem melhor uma cultura que no passado constituía uma geração de economia familiar.

Por outro lado, o relançamento desta actividade vai ser uma inovação na Guiné-Bissau, porque vai contribuir na economia familiar e do próprio país e ao mesmo tempo vai reduzir em grande escala a importação de panos tinturados a partir dos países vizinhos. Hoje é fácil identificar em todos os cantos do país mulheres empresárias que deslocam para os países vizinhos a procura deste produto, não só nos períodos de festas mas em todos os momentos. Fazendo somatória de todo o dinheiro que elas levam, verifica-se que é uma perda econômica para o país e não só, como também de outros factores sociais em que as mulheres são sujeitas durante as viagens, tanto nas fronteiras como nos países de destino, o que não é bom em termos de direitos humanos. Mas, também é uma oportunidade para as universsidades, Sociólogos, historiadores, Antropólogos aprofundarem as suas pesquesas sobre as culturais ancestrais da Guiné-Bissau. Outras vantagens a explorar é a vertente tiristico. Estes são conjunto de situações que devemos ter em conta.

Pois, é pela primeira vez que a Guiné-Bissau contacom um centro de tintura de panos moderno.

O que é que está sendo feita para que de facto a ac- tividade de Tintura de Panos recupere o seu espaço no mercado nacional e internacional?

MB – Muito trabalho foi feito e está sendo feito, por- que este é um processo. Estamos trabalhar mesmo no sentido de transformar esta Associação de Mulheres de Ponte Nova numa Cooperativa. Ou seja, a inten- ção é de construir uma cadeia de valores, onde alguns ocupam papel exclusivamente de produção, outros de
distribuição e outros consumidores. Neste sentido está sendo desenvolvido um trabalho quer no país como no estrangeiro (Espanha e Portugal) onde estes produtos
já foram apresentados com êxito através de UNIMOS e estamos a consolidar a criação de uma base de dados para as redes sociais de comercialização.
Trabalhando nesta cadeia de merc mos obtermos mais ganhos, promo mais emprego e promover e economi , onde cada um pode beneficiar mais.
O que está sendo feito a este nível é o plaidoyer (lobing) com as auto- ridades nacionais para convencêlas a contarem com este centro de produção de panos. Também trabalhar com os grandes parceiros nacionais caso de Câmara de Comércio, Industria, Agricultura e Serviços para apoiar este centro como de interesse nacional. Outro aspecto que está sendo feito são ac promocionais, através de informaçõ imprensa, Ministério de Comercio Secretaria de estado do Turísmo, nos site da UE, de Unimos, da DIVUTEC e no Facebook para manter o público- alvo informado .

Pela análise feita na qualidade do Coordenador que está seguir a implementação do projecto, como é que os beneficiários apreciam as realizações
feitas (construção do centro de produção, reforço de capacidade e institucional e organizacional da AMPN)?
MB – Para quem visita o centro actualmente em Ba- fatá, nota-se os interesses que ali existem. Os que emigraram para Gambia e/ou Senegal, alguns deles estão
a regressar. Também, notase uma aderência não só de mulheres como de jovens interessados em praticar esta actividade e aperfeiçoarem os conhecimentos. Além disso, o centro está oferecer diferentes actividades em favor dos beneficiários como , formação em associativismo, contabilidade básica, gestão de infraestrutura, na planificação monitoria e avaliação, gênero e desenvolvimento, entre outros.

Acha que o ritmo da execução de actividades está corresponder com o cronograma traçado?
MB- Acho que sim, apesar de alguns transtornos verificados, onde o projecto conheceu os seus momentos altos e baixos, mas as actividades estão num bom caminho. Embora é do conhecimento geral que no segundo ano houve transtornos registados com acon- tecimentos políticos no país. Quando é assim, toda a agenda mesmo nacional é afectada e até agendas particulares e/ou de projectos. Mas, é importante sublinhar que as actividades estão ser executadas devidamente e com muita competência, o que é possível provar ao nível dos beneficiários. Portanto, em termos de crono- grama, as acções estão num bom caminho até aqui.

edida a produção de panos dos produzirá impacto no cado interno guineense? O ue é que pretende revolu- ionar de concreto com este projecto?
MB- Queremos garantir um fornecimento regular de qualidade, de disponibilidade e acesso fácil para todos tanto distribuidores como consumidores. E nesse sentido, já foi adquirido uma rande quantidade de matéria ma para garantir a produçãonos e há mais de 200 mulheres tintureiras no centro em que não pode imaginar a capacidade de resposta destas. Com esta matéria prima, pretende-se garantir uma produção folgada para as tintureiras e neste preciso momento há muita produção já no centro.
Posso sublinhar que estão criadas todas as condições infra-estruturais, materiais, técnicas e de recursos humanos para o centro poder fazer face às demandas do mercado.

Como avalia a parceria DIVUTEC UNIMOS no quadro deste projecto e ainda no quadro de troca recíproca de experiência de trabalho entre as duas organizações?
MB- A DIVUTEC sempre trabalho com vários par- ceiros em diferentes projecto e em concreto com o UNIMOS é um parceiro privilegiado da DIVUTEC, porque temos pontos de vista muito convergentes em termos de abordagem de projectos e de cooperação para o desenvolvimento. Espero que juntos podemos construir sinergia para tornarmos as nossas instituições mais fortes em prol de apoio as acções promo- cionais de luta contra a pobreza na Guiné-Bissau.



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